terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Protecionismo é só bom se você realmente ama carros terríveis

Donald Trump está com a ideia desastrada e imbecil de impor tarifas de 35% sobre carros importados (ou talvez não imbecil, do ponto de vista de um político que quer apoio de grandes corporações e sindicatos americanos) e essa ideia inspirou esse artigo no Jalopnik, cujo será traduzido. Você pode sair do Brasil, mas nunca ficará imune à decisões de políticos. Eles estarão prontos para te prejudicar, se lhes for conveniente.

Protecionismo é só bom se você realmente ama carros terríveis

Stef Schrader
23/01/2017 13:43h


Sinta o mal-estar! Citation II! Crédito da foto: General Motors

Todos nós devemos estar preocupados pelo discurso desarticulado do presidente Donald Trump no Twitter, sobre a aplicação de tarifas enormes a veículos fabricados no exterior. A meta é estimular indústria no país, que é realmente um objetivo nobre. Mas nós não podemos ignorar que políticas protecionistas historicamente produziram alguns dos piores carros do mundo. 

O ministro da economia alemão Sigmar Gabriel pode ter sido um pouco crítico quando ele respondeu ao discurso do Trump com "os Estados Unidos precisam produzir carros melhores," mas essa é a definição do manual de grandeza: fazer coisas que são melhores que outras coisas. Nós nunca iremos produzir grandes carros se nós concorrermos apenas com nós mesmos. Há uma razão do porquê de carros da British Leyland e do Bloco Soviético serem frequentemente piadas de piadas. Para citar um exemplo próximo e querido para um coração de um escritor de desporto motorizado, esses produtos clássicos de (ou causados por, no caso dos carros americanos da Era Mal-estar) políticas protecionistas míopes são frequentes competidores pelo 24 horas de LeMans, menos que a prestigiosa premiação "Índice de Efluência", os quais vão para equipes que super-executam com uma genuína e abismal pilha de porcaria que devem ter quebrado quando rolou fora do reboque.

Nós podemos amar esses estranhos velhos carros pelos seus "caprichos" (ei, estou tentando ser bom), e cumprimentarmos qualquer um insano o bastante para manter um Triumph TR7 na estrada, mas essas mesmas qualidades que nos fazem respeitar um dono de um TR7 não são coisas que queremos em um carro novo. Se América quer ser "grande", precisa produzir os maiores carros na terra, não carros que são apenas suficientes para se obter dentro de suas fronteiras.

É difícil não pegar más lembranças para os piores dias de British Leyland quando você lê ameaças de Trump de altas tarifas em carros importados. O que é que exatamente que os britânicos fizeram após a Segunda Guerra Mundial para sustentar sua indústria automotiva doméstica, que não funcionou lá, também. Conhecendo seus carros que seriam vendidos de todo modo, o conglomerado nacionalizado da British Leyland bombeou para fora tais pedras preciosas de projeto preguiçoso como o Morris Marina - um carro que foi baseado no Morris Minor de 1948 a sua estreia em 1971, de acordo com o CarThrottle. Esse mesmo carro antigo foi somente levemente alterado para fazer o Morris Ital que substituiu-o em 1980. Pobre qualidade construtiva de algum mau projeto fez o Marina o carro mais sucateado nos últimos 30 anos, pelo Talk the Torque.

Como todo bom capitalista, eu firmemente acredito que as fabricantes de automóveis precisam de competição para produzirem seus melhores e mais inovadores trabalhos. Isso não é dizer que a América não produz bons carros - é só que não há incentivo financeiro para produzir qualquer coisa quando você somente efetivamente compete com algumas outras poucas companhias ao invés dos melhores e mais brilhantes projetos no mundo.


O dejeto mais infame da British Leyland, o Morris Marina. Crédito da foto: British Leyland via Favcars

Em outras palavras, se você pode continuar colocando as mesmas vasilhas de porcarias ano vai ano vem e ainda fazer dinheiro porque outros carros aumentaram de preço e ficaram menos competitivos, por que você gastaria dinheiro para melhorar alguma coisa? Apenas sente e assista o dinheiro rolando!

Os Estados Unidos lideraram o mundo com alguns carros incríveis em anos recentes, tendo desenvolvido o motor V8 para uma forma de arte, feito carros elétricos que são atualmente divertidos de dirigir e produzir carros de corrida vencedores no mundo fora o Chevrolet Corvette e Ford GT. Eu não estou tão preocupado sobre nosso talento de engenharia. Estou preocupado com o contador que dirá não para as próximas ótimas ideias porque as companhias americanas que passam a ser competitivas nos Estados Unidos serão significativamente reduzidas se algo como um imposto de importação de 35% for cobrado sobre as importações.

Para citar um exemplo mais extremo, essa espécie de morte por contabilidade é exatamente o motivo do Trabant ter ficado tão inalterado por tantos anos. Engenheiros que procuraram fazer melhor o Trabi da Alemanha Oriental fizeram esse trabalho em segredo porque os altos funcionários figuraram que o carro venderia de qualquer jeito, e não veriam a necessidade de gastar fundos em pesquisa e desenvolvimento.

O Trabant 601, como parecia de 1965 a 1989. Crédito da foto: Trabant via Favcars

Sem necessidade de dizer, o Trabant não foi um grande sucesso fora de suas fronteiras. Quando os consumidores do Bloco Soviético finalmente tiveram mais chances sobre o que comprar, esses carrinhos humildes eram frequentemente achados abandonados em favor de qualquer outra coisa.

Essa não será a primeira vez que a América flertou com matar a habilidade dos consumidores de escolher o melhor carro para suas necessidades, e os resultados eram desastrosos, também. O governo dos Estados Unidos limitou importações estrangeiras após a crise do petróleo de 1979 porque os carros americanos da Era Mal-estar eram incapazes de competir com os carros japoneses, mais eficientes.

Esse tão falado "Restrições Voluntárias de Exportações" (que deu o que as fabricantes japonesas relutantemente concordaram em fugir de altas tarifas, não tão voluntário) de 1981 a 1994. Algumas fabricantes estrangeiras moveram facilidades de produção aqui para beirar essas restrições assim como conseguir vantagem de um corte de impostos para exportações dos Estados Unidos, mas eles ainda limitaram a escolha do consumidor americano. Ao invés de simplesmente fazer carros melhores para derrotar a Honda e Toyota ao seu próprio jogo, nós terminamos com vasilhas de porcaria como o Chevrolet Citation II e os carros K da Chrysler¹. Como os carros que precederam o Restrições Voluntárias de Exportações no primeiro lugar, carros americanos dos anos 80 sentiram-se arcaicos comparados aos seus competidores estrangeiros. Muitos carros, como os carros K que inicialmente salvaram a Chrysler, ficaram mais tempo que deveriam. As três grandes² ainda focaram nos clientes às marcas americanas não importando o que, com pequenas reais inovações para mantê-los leais. Por que se preocupar quando importados não podem competir?

O Plymouth Reliant, dessa era, é considerado o pior carro de todos os tempos do 24 Horas de LeMans - e esse está em uma série que especificamente encoraja terríveis carros a participar. Crédito da foto: Eric Rood

O arquiteto desses acordos protecionistas de importação dos anos 80, Robert Lighthizer, é a escolha do Trump para servir como Representante Comercial dos Estados Unidos, nota o jornal Político. A Organização Mundial do Comércio proibiu seus "voluntários" acordos uma década depois, mas é incrivelmente preocupante vê-lo retrocedendo em direção à uma posição de poder.

Fazer carros pequenos não é o ponto forte das fabricantes americanas. Mesmo hoje, ainda não são. Historicamente, nossos baixos custos de combustível e largos espaços abertos não proveram muitos incentivos para diminuirmos de tamanho. Mais criticamente, as margens são menores em carros pequenos do que em carros grandes, e nós felizmente produzimos mais picapes que hatchbacks. Mas deixar essas tendências desmarcadas tem repetidamente conduzido as três grandes para tudo exceto inteiramente desistir no desenvolvimento de carros pequenos. Isso significa que a única escolha dos americanos é por bons carros vindos de marcas estrangeiras. Se essas importações são restringidas com altas tarifas, qualquer americano que queira um pequeno carro teria poucas opções. 

Quando meus pais compraram para mim um carro para graduação da universidade³, eu terminei com um Mitsubishi - contra a preferência esmagadora do meu pai por comprar um americano - porque os carros pequenos americanos disponíveis naquele tempo não eram lá aquelas coisas.

O Ford Fiesta e Focus que finalmente começaram a pular essa medíocre tendência de carros americanos vieram da divisão europeia da Ford. E muitos dos atuais carros pequenos da GM têm equivalentes coreanos. Como as fabricantes estrangeiras que fazem carros nos Estados Unidos, nossas próprias companhias são também globais agora. Nós temos sido beneficiados grandemente em conseguir carros desenvolvidos em áreas onde há uma demanda por carros fora das nossas preferências por grandes barcas, e assim, mais incentivos para sermos bons.

Políticas protecionistas não apenas desencorajam inovação, mas também previnem consumidores de serem permitidos de comprar os exatos carros que eles querem. É difícil o suficiente para convencer fabricantes para trazer os amados hot hatches como são, dadas as fracas demandas por carros pequenos aqui. Mais restrições em importados fariam nossas chances de conseguir carros tais como o Toyota Yaris de 210 cv inspirado em rali, muito sombrias.

Em algum ponto, nós também temos de admitir que a América não tem o maior talento do mundo, e não todos querem um carro que sirva às áreas de especialidade das Três Grandes. Marcas americanas preenchem um monte de nichos, mas nós não fazemos algo como o Porsche 911, de motor traseiro e com seis cilindros contrapostos. Nem temos um razoavelmente barato, roadster de pequena motorização como o Mazda MX-5 agora. Fazer esses carros populares de nicho mais caros somente irão servir para punir consumidores que querem um tipo muito específico de veículo.

Nós vivemos em um mundo que é perpetuamente conectado a todos mais agora. Nós não estamos mais contentes em ver somente nossas séries de televisão, muito menos somente prestar atenção aos nossos caros. Estamos orgulhosos de fazer carros como o Tesla Model S e o Dodge Challenger Hellcat que são claramente o topo do que eles fazem. Estamos realmente ficando orgulhosos de produzir o próximo Austin Allegro ou Cadillac Cimarron - alguma coisa que atende requisitos básicos do mercado doméstico mas são completamente obsoletos internacionalmente?

Sim, esse Cavalier com outra logomarca foi um Cadillac. Crédito da foto: Cadillac

Eu não penso assim.


Nota do editor: Eu fico pensando a reação dos alemães, britânicos e norte-americanos ao se depararem com carros brasileiros de gosto duvidoso. Você pode alegar que são bons. O que é bom? Como mensurar qualidade se você só pode comprar esses projetos? Brasil não esteve à salvo de projetos desastrados, para a tristeza de ideólogos nacionalistas. A sorte é que eles ainda têm alguma liberdade, você, brasileiro, só tem a liberdade de assisti-los tendo acesso à carros de qualidade. Esse protecionismo foi patrocinado pela Anfavea, Ministério das Relações Exteriores, Mercosul e governo federal. 


¹  A Chrysler, nessa época e em crise, havia pedido subsídios para o governo e resolveu oferecer esses "presentes" aos americanos. Poderia já ter falido. Décadas depois a GM, em crise, faria chantagens e iria despejar suas lágrimas no governo também. E foi salva também.

² Referência à Ford, General Motors e Chrysler, três principais marcas de automóveis do país.

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